Anais do VI Congresso de Letras: Linguagem e Cultura: Múltiplos Olhares, 2007

O OLHO ÓPTICO NAS LEMBRANÇAS DO “VELHO BRAGA”

José Geraldo Batista

Resumo


Este texto, que faz parte da Dissertação “Casa dos Braga, de Rubem Braga: Retratos de uma morte feliz”, aborda as similaridades e incongruências entre a arte de registrar os instantes através da fotografia e a arte de Rubem Braga em escrever suas crônicas. A partir da leitura do livro Casa dos Braga: memória de infância, de Rubem Braga (1913-1990), publicado em 1997, intenta-se evidenciar nessa obra o caráter fragmentário, o recorte de personagens e paisagens, as dimensões reduzidas dos textos coligidos e o pendor documentário dessa recolha de crônicas da infância que conduzem o leitor a surpreender a tangência e a contaminação das operações da escrita memorialística pelos processos do dispositivo fotográfico, aqui considerado tanto como metáfora da permanência dos resíduos mnemônicos no aparelho psíquico, quanto como sintoma que reúne a fotografia e as écritures de soi na mesma tensão “indecidível” entre o registro testemunhal do passado e as muitas irrupções do imaginário e da ficção. Procura-se, também, demonstrar, na leitura da Casa dos Braga, a impressão sedutora e enigmática de encontrar-se diante de um álbum de fotografias. Da mesma forma que uma coleção de retratos de família nos prende e nos interroga silenciosamente, a substância textual das crônicas de Rubem Braga, enquanto modo de fixação e acumulação de instantes fugidios, aciona no leitor práticas similares àquelas do “amador” de fotos, pois ali também fragmentos e recortes estão a exigir do olhar e da imaginação movimentos e digressões que permitam complementar o espaço e unir as muitas estações do tempo.

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