Revista de Ciências, Vol. 7, No 2 (2016)

Avaliação da qualidade de vida de mulheres da microrregião de Caratinga - MG após o tratamento do câncer da mama

Thalita Gonçalves Campos, Juscélio Clemente de Abreu, Elisandra G. Campos de Abreu

Resumo


A avaliação da qualidade de vida pode ser utilizada dentro da área da saúde como um desfecho importante no sentido de avaliar o impacto da doença conhecendo o perfil do paciente, de criar indicadores da gravidade e progressão da doença. Em relação às mulheres uma das maiores preocupação sobre a qualidade de vida é o câncer da mama, cuja incidência vem aumentando a cada ano devido ao envelhecimento da população feminina. Apesar de se conhecer dados epidemiológicos do
câncer de mama da Macrorregião Leste de Minas Gerais, pouco se conhece a respeito do perfil e da qualidade de vida das mulheres que passaram pelo tratamento de câncer de mama na Microrregião de Caratinga. Por isso, esse trabalho teve como objetivo conhecer o perfil e a qualidade subjetiva de vida das mulheres após o tratamento do câncer nessa microrregião. Por meio de uma pesquisa descritiva qualitativa com
questionários semiestruturados verificou-se a prevalência de 2,9 casos para 10 mil mulheres que tiveram câncer de mama diagnosticado e que fizeram tratamento por quimioterapia e/ou radioterapia. A faixa etária média foi de 50 ± 11 anos, a maioria possui o ensino fundamental incompleto, são moradoras da zona rural, de baixa renda, de raça branca ou parda e que tiveram dois ou mais filhos. Nenhuma teve que fazer mastectomia apesar do início dos tratamentos começarem em estádios mais avançados da doença devido à falta de conhecimentos
sobre o autoexame e do câncer de mama. De alguma forma, todas estavam em condições de risco, por serem idosas, tabagistas, obesas. Durante o tratamento, a maior angustia foi o medo, devido ao total desconhecimento do assunto e por estarem longe da família. Após a reabilitação faziam apenas consultas de rotinas com acompanhamento da equipe multiprofissional; mudaram os hábitos alimentares, praticaram mais atividades físicas, diminuíram o consumo diário de cigarro, recuperaram a autoestima e qualidade de vida. Relataram que se “fossem avisadas do risco que corriam teriam feito preventivos para
o câncer de mama, como suas filhas estão fazendo, após verem o sofrimento da mãe”. Para que se alcance uma detecção precoce do câncer de mama é necessário ter uma maior oferta de exames de mamografia e que haja também mais campanhas de educação em
saúde para a população, despertando, assim, o autocuidado pela saúde das mamas, principalmente, na zona rural da Microrregião de Caratinga. Portanto, se medidas não forem tomadas, muitos dos casos novos esperados poderão evoluir ao óbito. Sendo assim, espera-se que a leitura desse artigo venha promover a reflexão dos gestores, educadores e profissionais da área de saúde desta Microrregião sobre o que está sendo feito e o que poderá ser feito para enfrentar os desafios aqui apresentados.

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