Revista de Ciências, Vol. 6, No 1 (2015)

RETRATOS LITERÁRIOS: MEMÓRIA E PERMANÊNCIA FOTOGRÁFICA EM “A CIDADE E A ROÇA” DE RUBEM bRAGA

Juliana Pereira de Oliveira Batista, José Geraldo Batista

Resumo


Este texto tem como objetivo discutir os recursos do olhar fotográfico de Rubem Braga (1913-1990), transformados para a literatura, em sua recolha de crônicas A cidade e a roça. Uma vez que Braga demonstra, em suas crônicas, uma memória imobilizada, como se fosse algo morto, e, diante da evidência de que o passado não tem volta, pretende-se esclarecer a idéia de que as crônicas de Braga, como na fotografia, rememoram o passado. Para isso o principal respaldo teórico será buscado nos escritos de Susan Sontag. Como objetivo específico, buscar-se-á fazer uma comparação entre a fotografia e a literatura. Este texto aborda as similaridades e incongruências entre a arte de registrar os instantes através da fotografia e a arte de Rubem Braga em escrever suas crônicas. A partir da leitura do livro A cidade e a roça, de Rubem Braga, publicado em 1957, intenta-se evidenciar nessa obra o caráter fragmentário, o recorte de personagens e paisagens, as dimensões reduzidas dos textos coligidos e o pendor documentário dessa recolha de crônicas que conduzem o leitor a surpreender a tangência e a contaminação
das operações da escrita memorialística pelos processos do dispositivo fotográfico, aqui considerado tanto como metáfora da permanência dos resíduos mnemônicos no aparelho psíquico, quanto como sintoma que reúne a fotografia e as écritures de soi na mesma tensão “indecidível” entre o registro testemunhal do passado e as muitas irrupções do imaginário e da ficção.

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