A República do Silêncio: manifestações do poder local no leste de Minas Gerais 1877 - 1896




Na idade média a historiografi a era tarefa dos chamados cronistas, compiladores que ordenavam cronologicamente os fatos. Faltava-lhes o uso da opinião crítica. Porém, o historiador português Fernão Lopes (1380 – 1460), guardador-mor da Torre do Tombo, revolucionou o método historiográfi co em seu tempo por utilizar fontes documentais e por considerar a participação popular nos acontecimentos narrados, rompendo, portanto, com o simples compromisso de agradar ao clero, a reis e a nobres.
Cinco séculos se passaram, mas ocasionalmente ainda se vê alguns historiadores por conta de motivações ideológicas ou por pressões de ordem social ou política manipulando as informações para submetê-las a interesses de grupos estabelecidos no poder.
Flávio Mateus, por sua vez, procura em seu trabalho fugir de condicionamentos de toda ordem inclusive das fórmulas sedutoras fáceis de gosto academicista, lançando-se ao trabalho de pesquisa de maneira honesta e apaixonada, revelando ao leitor as nuances que caracterizam o contexto em que se deu a chamada “República Manhuassu,”com atenção especial às pessoas envolvidas.
Neste sentido, o autor se fi lia ao espírito humanista de Fernão Lopes guardadas as diferenças entre as duas épocas e os avanços ocorridos no método histórico, proporcionando ao leitor de hoje um contato surpreendente com um assunto que durante muito tempo fi cou, de certa forma, obscurecido pela história oficial e pelo desinteresse de outros pesquisadores.

Fernando Campos
Professor de Literatura e Língua Portuguesa
da rede estadual de ensino do Estado de Minas Gerais